"Sem teoria revolucionária não há prática revolucionária"
A Universidade Vermelha consiste em módulos de formação política da Esquerda Marxista - Seção Brasileira da Corrente Marxista Internacional

O projeto de formação da Universidade Vermelha funciona através de módulos que ocorrem simultaneamente em vários estados do Brasil. São cursos livres, abertos, de 1 dia de duração, ministrados não por acadêmicos, mas por militantes revolucionários que unem o estudo da teoria com a luta prática pela organização da classe trabalhadora e da juventude para a tomada do poder e a construção do socialismo. Os módulos são independentes e gratuitos. Participe!
Chegou a revista teórica AMÉRICA SOCIALISTA Nº IV. Adquira já na Livraria Marxista www.livrariamarxista.com.br ou com os militantes da Esquerda Marxista

10 de maio de 2013

Chegou a revista teórica América Socialista Nº 3

Compre já na Livraria Marxista


Confira nesta edição:

☭ Informe Político à Conferência Nacional da esquerda Marxista - 2013
  Comitê Central da Esquerda Marxista

☭ Os Populismos Latino-americanos (I) : O Peronismo
  Mario Corteze

☭ A Questão Nacional na Escócia
  Soialist Appeal

☭ Hobsbawn Foi um Marxista?
  Allan Woods

☭ Mariátegui e a Revolução Permanente
  José Pereira

☭ "Remodelagem" ou "Reformatação" do Movimento Sindical (Uma Aceleração da         Ofensiva para Integrar Sindicatos)
  Serge Goulart

☭ Sem Chávez, A Tarefa dos Marxistas Continua a Mesma: Completar a Revolução!
  Comitê Central da Esquerda Marxista
[ ... ]

8 de maio de 2013

Calendário de formação Universidade Vermelha 2014

Aguarde! Em breve o calendário 2014...

 São Paulo 

Módulo:
Tema:
Informante:
Dia:
Local:
Informações:

 Jonville-SC 

Módulo:
Tema:
Informante:
Dia:
Local:
Informações:

 Florianópolis-SC 

Módulo:
Tema:
Informante:
Dia:
Local:
Informações:

 Rio de Janeiro 

Módulo:
Tema:
Informante:
Dia:
Local:
Informações:

 Curitiba-PR 


Tema:
Dia:
Local:
Informações:


 Recife-PE 


Tema:
Dia:
Local:
Informações:


 Cuiabá-MT 

Módulo:
Tema:
Informante:
Dia:
Local:
Informações:

 Dourados e Campo Grande-MS 


Tema:
Dia:
Local:
Informações:


 ABC-Paulista 

Módulo:
Tema:
Informante:
Dia:
Local:
Informações:

 Baurú-SP 

Módulo:
Tema:
Informante:
Dia:
Local:
Informações:

 Campinas-SP 

Módulo:
Tema:
Informante:
Dia:
Local:
Informações:

 Brasília-DF 

Módulo:
Tema:
Informante:
Dia:
Local:
Informações:
[ ... ]

18 de março de 2013

142 Anos da COMUNA DE PARIS (18 de março a 28 de maio de 1871)


Paris, capital da França. Paris da grande Revolução Francesa de 1789, onde os reis foram enforcados e a igreja expulsa do Estado. 

Paris, a cidade luz. Paris, a capital do mundo, cento e quarenta e dois atrás. Nesta cidade ocorreram fatos grandiosos. Acontecimentos de que toda a classe operária, os trabalhadores de todo o mundo, devem orgulhar-se.

Em Paris, pela primeira vez na história os operários tomaram o poder e instalaram um governo dos trabalhadores.

O primeiro governo operário da história durou exatos 72 dias, de 18 de março à 28 de maio de 1871. Ele foi derrubado e afogado em sangue pela burguesia francesa aliada com as burguesias de toda a Europa.
Mas, durante os heróicos 72 dias em que a classe operária dominou Paris, ela mostrou o caminho aos operários de todos os países.

Esta é a herança da comuna de Paris.


O Fim da Era dos Reis

A revolução, que derrubou a monarquia e proclamou a República, ocorreu no final do século 18, em 1789, quando a aristocracia, como classe, estava em agonia. Uma nova classe social estava se desenvolvendo poderosamente: a burguesia. O período das Grandes Navegações, o comércio em ascensão, o início da industrialização, estavam concentrando as riquezas nas mãos de pessoas não pertencentes à nobreza e ao clero.

Até então dominavam tudo, os reis, nobres e padres, que viviam as custas de uma ordem econômica chamada feudalismo.

O feudalismo se baseava no domínio de um feudo (uma região) por um nobre, onde o povo trabalhador não tinha praticamente direito algum. Apenas obedecia. Todo o poder se concentrava nas mãos do rei, que com a ajuda da igreja perpetuava seu domínio.

No entanto este domínio começou a declinar e a entrar em crise na mesma medida em que a burguesia se desenvolvia e concentrava em suas mãos, mais e mais, a riqueza produzida pela sociedade. A maneira encontrada pela monarquia para manter seus privilégios era explorar ainda mais a população. E enquanto o povo afundava na miséria, o clero e a nobreza esbanjavam e viviam cercados de privilégios. Como sempre, para garantir esta situação os governos se baseavam na violência para reprimir a rebeldia, para reprimir a luta pela independência e pela liberdade.

Mas a tirania estava no seu limite.

Em 1789, o povo de Paris em armas se insurge contra a ordem estabelecida e põe fim à monarquia. A tomada da Bastilha marcou esta autêntica revolução que encerrou um capítulo da história. Foi proclamada a República burguesa, capitalista.

Esta revolução popular acabou com a tirania absolutista e levou ao poder uma nova classe, a burguesia, que prometia Liberdade, Igualdade e Fraternidade.

Mas não tardou para que a nova classe dominante se distanciasse do povo e se organizasse contra ele.

O povo que derrubou a monarquia queria uma República Social. A burguesia, entretanto, só queria organizar melhor os seus negócios e por isso precisava de um regime seu, de um governo próprio.

Mas, o povo queria sair da miséria.

Um impasse se instala. O povo quer avançar, quer ir mais longe do que querem os burgueses. Para resolver a situação a burguesia instala um regime forte capaz de controlar o povo e permitir que seus negócios se expandam. É o governo de Napoleão Bonaparte.

Mas, nenhum regime poderia liquidar os desejos libertários do povo trabalhador, tão fortalecido durante a revolução de 1789. A luta entre a burguesia e o povo se desenvolve e se torna aguda. Novas insurreições, novas revoluções, virão. Mas, as revoluções agora serão de outro tipo. Serão revoluções que buscam acabar com toda a opressão e exploração

A Classe Operária Entra em Cena

Napoleão no poder, empreende uma série de guerras de conquista com o objetivo de ampliar o poderio econômico francês e liquidar as economias feudais concorrentes. Era preciso reorganizar toda  a  economia européia segundo os interesses da burguesia.

É nesta época que se inicia o que se chamou de revolução industrial, que destrói o antigo sistema artesanal de produção e o substitui pelo sistema industrial com o uso da máquina.

Nas grandes cidades, como Londres e Paris, desenvolvem-se grandes industrias empregando milhares de operários. Estes operários trabalhavam de 16 a 18 horas por dia, em condições insalubres, com salários miseráveis e nenhuma segurança. Era comum os operários morrerem sobre as máquinas.

Nesta época não existe diferença entre o homem trabalhador, o miserável e o criminoso.

A luta contra estas condições de vida e trabalho levam assim a muitos conflitos abertos entre os trabalhadores e os poderosos.

Foi a época das lutas de barricadas nas ruas, das primeiras insurreições operárias em busca de emancipação.

Em 1848, os operários de Paris tentam pela primeira vez tomar o poder e são massacrados sem piedade. Mas isto os prepara para acontecimentos ainda maiores. Acontecimentos que honrarão para sempre a classe operária da França.

A Preparação para a Comuna

Paris, no começo do século 19 era uma cidade populosa e o povo muito pobre.

Residiam em casas minúsculas, apertados em ruas sujas, sem nenhum conforto, faltando comida. Os que viam Paris olhavam para aquela multidão e viam o desespero e a revolta, que se tornava cada dia mais evidente e iminente.

Neste momento o Exército prussiano marcha sobre a França. Avançam destroçando o exército regular francês e tomando quase todo o território do país.

Até mesmo o governante frances, Napoleão III, é feito prisioneiro.

Foi então que, com o governo francês em pânico, mais de 200 mil trabalhadores de Paris receberam armas e passaram a fazer parte da Guarda Nacional. Este fato inédito, o povo em armas, mudaria o rumo dos acontecimentos.

A agitação se desenvolve em Paris cercada e é proclamada a República em setembro de l870.

Os republicanos da ordem, republicanos burgueses, passam a comandar um Governo de Defesa Nacional. Mas buscam um acordo com Bismarck, o governante da Prússia, que encerrasse a guerra. O governo de Defesa Nacional decide dissolver-se e convoca eleições para uma Assembléia Nacional que firmasse a paz. O acordo firmado afinal com Bismarck prevê o pagamento de pesadas indenizações territoriais e financeiras, que obviamente recairiam sobre as costas do povo francês.

Em Paris, a Guarda Nacional armada recebe tal noticia de rendição como uma traição. E recusa-se a entregar as suas armas.

A eleição da Assembléia Nacional é realizada e são eleitos representantes de todas as posições políticas; monarquistas, republicanos, revolucionários, etc., mas são os reacionários que a dominam globalmente. Toda a burguesia quer desarmar os operários de Paris, e conspirando com Bismarck contra seu próprio povo, transfere a Assembléia Nacional para Versalhes. O centro reacionário desloca-se assim para fora da cidade armada enquanto prepara o massacre do povo. Com isso a Guarda Nacional tornou-se definitivamente operária.

O Assalto aos Céus

A Comuna surgiu espontaneamente, ninguém a preparou consciente, metódicamente.

A guerra infeliz com a Alemanha; os sofrimentos do cerco pelo exército inimigo, o desemprego do proletariado e a ruína da pequena-burguesia; a indignação das massas contra as classes dominantes e as autoridades que haviam dado provas de uma incapacidade absoluta; uma surda efervescência no seio da classe operária  descontente com a situação e ansiosa de um novo regime social, a composição reacionária da Assembléia Nacional que fazia temer pelos destinos da Republica, outros fatores se conjugavam para impelir a população de Paris à revolução. E foi a revolução que pôs, inesperadamente, o poder nas mãos da Guarda Nacional, da classe operária e da pequena burguesia que se colocara ao seu lado.

Foi um acontecimento histórico sem precedentes. Até então o poder estava, em geral, nas mãos dos latifundiários, dos nobres, do clero, e dos capitalistas ou melhor, nas mãos de seus homens de confiança, aqueles que constituíam seus governos.

Depois da insurreição de 18 de março, quando o governo de Thiers fugiu de Paris com suas tropas, seus funcionários e sua polícia, o povo ficou dono da situação e o poder passou às mãos do proletariado. A Guarda Nacional convoca eleições para a Comuna de Paris e ela é proclamada em 28 de marco de 1871. Apesar da guerra, do cerco, e de Versalhes, a cidade é uma festa.

A Comuna, a principio, foi um movimento extremamente confuso e heterogêneo. A ele, aderiram também os patriotas na esperança de que a Comuna retomasse a guerra contra os alemães e a levasse a bom termo. Apoiaram-na igualmente os pequenos comerciantes ameaçados de ruína se o pagamento das Letras e das rendas não fosse suspenso (o que o governo recusara a Comuna concedeu).Por ultimo também os republicanos simpatizaram de início com a Comuna, temendo que a reacionária Assembéia Nacional restabelecesse a monarquia. Contudo o papel fundamental no movimento foi desempenhado pelos operários.

Só os operários permaneceram fiéis à Comuna até o fim. Os republicanos burgueses e a pequena burguesia desligaram-se bem cedo; uns assustados com o caráter proletário, socialista e revolucionário do movimento, outros quando viram condenado à derrota

Apenas os proletários apoiaram sem medo e sem desânimo o seu governo, só eles combateram e morreram por ele, isto é, pela emancipação da classe operária, p0or um futuro sem opressão e exploração.

Pois a Comuna teve que reconhecer, desde logo, que a classe operária uma vez chegada à dominação não podia continuar a administrar com a velha maquina do Estado. Era preciso, para não perder o que se tinha conquistado, eliminar a velha maquinaria de opressão até ai utilizada contra a classe operária e estabelecer a sua própria. Isto foi feito elegendo um governo e representantes revogáveis a qualquer momento, constituindo um governo que fosse ao mesmo tempo legislativo e  executivo, com o mínimo de burocracia.

Mas na sociedade moderna o proletariado economicamente submetido à burguesia não pode dominar politicamente se não romper as cadeias que o prendem ao capital. Daí que o movimento da Comuna procurou destruir as bases de domínio da burguesia adotando medidas como o decreto pelo qual todas as fábricas e oficinas abandonadas ou paralisadas pelos proprietários eram entregues às cooperativas operárias.

E para sublinhar o seu próprio caráter autenticamente democrático, proletário, a comuna decidiu que a remuneração de todos os funcionários da administração e do governo não fosse superior ao salário de um operário.

O governo da Comuna é constituído de delegados escolhidos nos diversos bairros de Paris .Assim quase 70 delegados formavam ao mesmo tempo executivo e legislativo da comuna.

E este governo operário, apesar das condições tão desfavoráveis e da brevidade da sua existência chegou a tomar algumas medidas que mostram bem o seu verdadeiro sentido e objetivos.

A Comuna substituiu o exército permanente, pelo armamento geral do povo, proclamou a separação da Igreja e do Estado, declarou educação pública e gratuita, proibiu o trabalho noturno e o sistema de multas que era aplicado aos operários foi abolido.

São abolidas todas as antigas autoridades, como juízes tribunais, câmara municipal, a policia, etc. No lugar das antigas autoridades estabelece-se a gestão popular de todos os meios de vida coletiva, bem como é decretado como gratuito tudo o necessário à sobrevivência, assim como os serviços públicos. São expropriados os solos em geral e então são comunizados. A habitação é um direito de todos e portanto residências secundárias não utilizadas são ocupadas. Trens, metros, e os outros meios de transporte são gratuitos. As ruas são propriedades dos pedestres e os veículos só podem ser usados nas regiões periféricas da cidade. O tempo de trabalho deve diminuir e os parasitas tem que ser combatidos. Estabelece-se a aposentadoria aos 55 de idade .A escola autoritária é abolida e os estudantes podem decidir o que vão aprender. É proclamada a igualdade entre o homem e a mulher .É proclamado o direito ao aborto, à anti-concepção e à livre informação sexual. É abolida a pena de morte e declarada a anistia geral, o fim de toda censura seja de ordem política moral ou religiosa. E dissolvida a polícia e em seu lugar são criadas milícias populares nos bairros com homens e mulheres voluntários.

A Comuna é  Internacional

A Comuna despertou a solidariedade internacional dos trabalhadores de forma viva. A luta dos operários franceses foi saudada em todos os lugares com manifestações de apoio.

A Associação Internacional dos Trabalhadores organizou uma intensa campanha de solidariedade com o objetivo de destruir o muro de calúnias que a burguesia levantava contra o povo de Paris. Na Inglaterra, Bélgica, Alemanha, Suiça e outros países, assembléias e atos públicos foram realizados. A classe operária mostrava que era internacional e que sua luta era a mesma em todos os lugares.

A Derrota da Comuna

Todas as medidas tomadas pela Comuna mostram que ela constitui uma ameaça mortal para o velho mundo fundado na opressão e exploração. Eis a razão pela qual a sociedade burguesa não podia dormir tranquilamente enquanto a bandeira vermelha do proletariado francês flutuasse na câmara municipal de Paris.

A burguesia francesa alia-se a Bismarck contra a Paris revolucionária, abertamente. O exercito alemão liberta 100mil prisioneiros para que sejam reorganizados para marchar sobre os revolucionários. Em 21 de maio as tropas do governo burguês de Versalhes atacam Paris. Os combates duram sete dias. Em 28 de maio a cidade estava banhada em sangue.

Apesar de toda a vontade e determinação de defender sua Comuna o povo parisiense não tem preparação militar para isso. A Guarda Nacional é composta por voluntários, homens e mulheres que dão a vida nas barricadas.

O exército de Versalhes avança pouco a pouco destruindo barricadas, casas, construções. Os prisioneiros são sistematicamente fuzilados.

E quando por fim as forças governamentais organizadas conseguiram dominar as forças mal organizadas da revolução, os generais bonapartistas, que se renderam aos alemães, mas valentes contra seus compatriotas vencidos, fizeram uma carnificina como Paris jamais vira.

Foram massacrados 40.000 parisienses, perto de 45.000 foram presos sendo uma parte executada e outra desterrada ou enviada para trabalhos forçados. No total Paris perdeu 100.000 de seus filhos, e entre eles os melhores operários de todas as profissões.

A burguesia de toda a Europa exultava. Acabou-se  com o socialismo por muito tempo, diziam.

A Comuna Não Morreu

Nem seis anos se passaram do esmagamento da Comuna e já na França renascia o movimento operário. A nova geração socialista enriquecida pela experiência e de maneira nenhuma desencorajada pela derrota, apoderou-se da bandeira caída das mãos dos combatentes da Comuna e levou-a para a frente com firmeza e audácia aos gritos de "Viva a Revolução Social", "Viva a Comuna!".

Nove ou dez anos após o esmagamento da Comuna o surgimento de um novo partido operário e a agitação que ele desencadeava no país obrigaram as classes dominantes a pôr em liberdade os "Comunards" presos.

A Herança da Comuna de Paris

A memória dos combatentes da Comuna não é apenas venerada pelos trabalhadores franceses mas também pelos trabalhadores de todo o mundo, porque a comuna não lutou por um objetivo local ou estritamente nacional, mas pela emancipação da Humanidade, de todos os humilhados e explorados.
Combatente de vanguarda da revolução social a Comuna é amada onde quer que o proletariado sofra e lute.

A imagem da vida e da morte do governo operário que conquistou e reteve durante mais de 2 meses a capital do mundo, o espetáculo da luta heróica do proletariado e dos sofrimentos após a derrota, tudo isso levantou a moral de milhões de operários, fez renascer as suas esperanças e ganhou para o socialismo as suas simpatias. Por isso a obra da Comuna não morreu, ela continua viva em cada um de nós.

A causa da Comuna é a causa da revolução social, é a causa da total emancipação política e econômica dos trabalhadores, é a causa do proletariado mundial. E neste sentido é imortal.

O Governo dos Conselhos, criação da Comuna, que reapareceria na Rússia revolucionária em 1905, e depois em 1917, é uma conquista da classe operária de todo o mundo. O ribombar dos canhões de Paris despertou de seu sono profundo as camadas mais atrasadas do proletariado , e deu por toda parte um impulso à propaganda socialista revolucionária.

August Bebel, deputado revolucionário alemão, no auge do massacre da Comuna declarou no parlamento.

"Meus senhores! Por mais condenáveis que possam ser aos vossos olhos as aspirações da Comuna podeis estar firmemente certos de que todo o proletariado europeu e todos os que levam ainda no peito um sentimento pela liberdade e a independência olham para Paris...

...E mesmo que neste momento Paris esteja sendo esmagada recordo-vos que...o principal, na Europa, ainda está por vir e que antes de passarem algumas décadas o grito de combate do proletariado parisiense - "Guerra aos Palácios, Paz as Choupanas, Abaixo a Miséria e a Ociosidade!" - se tornará o grito de combate de todo o proletariado europeu!"

Este, hoje, é o grito de guerra dos trabalhadores de todo o mundo. No Brasil, na Venezuela, no Egito e na Tunísia, na Grécia, na Espanha e na França, em todos os lugares a bandeira vermelha da Comuna flutua nas mãos dos revolucionários.

Proletários de todo o mundo, uni-vos!

A Comuna Vive! 

Serge Goulart
[ ... ]

3 de fevereiro de 2012

Bases do Marxismo (As Três Fontes e as Três partes Constitutivas do Marxismo)

Apresentação

Bases do Marxismo é um módulo da Formação Básica da Universidade Vermelha, a ser realizado nos meses de abril e maio de 2010. O objetivo do módulo é levar o participante a se familiarizar com conceitos fundamentais do marxismo.

O texto principal para leitura é: As três fontes e as três partes constitutivas do Marxismo, de Vladimir Ilitch Lênin. Um texto de apoio é Karl Marx: breve esboço biográfico seguido de uma exposição do marxismo, também de Lênin. Os dois textos foram publicados pela Editora Marxista na brochura Karl Marx segundo Lênin. Para facilitar, postamos abaixo o texto principal.

Obs.: Caso o módulo já tenha sido realizado ano passado, os textos de Lênin podem ser substituídos pela leitura da obra: Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico, de Friedrich Engels. Esse texto pode ser encontrado no link Biblioteca Marxista.
-
Metodologia

Para aproveitar melhor o módulo, os participantes devem ler o texto principal antes da atividade. Um militante deve ser o responsável por apresentar o conteúdo do texto aos outros participantes. Como nesse caso o texto é curto, há a possibilidade de se fazer a leitura do texto durante a atividade. O responsável deve estimular o debate, levantado questões sobre a atualidade do texto. Também deve provocar a participação, reservando espaço para que todos os participantes exponham suas reflexões, impressões e dúvidas. No final da atividade, é fundamental uma avaliação coletiva do módulo (escolha do texto, do horário, do local, de como se desenvolveu o debate, dos erros e acertos do responsável, etc...).
-
Objetivos

No final da atividade, o participante deve estar familiarizado com a origem histórica e intelectual do marxismo (as suas três fontes: 1. materialismo e filosofia clássica alemã; 2. economia política inglesa; 3. socialismo utópico); e deve conhecer o significado de alguns conceitos básicos, como materialismo histórico, dialética, teoria do valor, mais-valia e luta de classes. Na sua intervenção, o responsável deve se concentrar nesses pontos.
-
Texto principal-
-
As Três Fontes e as Três partes Constitutivas do Marxismo-
Vladimir Ilitch Lênin

A doutrina de Marx suscita em todo o mundo civilizado a maior hostilidade e o maior ódio de toda a ciência burguesa (tanto a oficial como a liberal), que vê no marxismo um a espécie de "seita perniciosa". E não se pode esperar outra atitude, pois, numa sociedade baseada na luta de classes não pode haver ciência social "imparcial". De uma forma ou de outra, toda a ciência oficial e liberal defende a escravidão assalariada, enquanto o marxismo declarou uma guerra implacável a essa escravidão. Esperar que a ciência fosse imparcial numa sociedade de escravidão assalariada seria uma ingenuidade tão pueril como esperar que os fabricantes sejam imparciais quanto à questão da conveniência de aumentar os salários dos operários diminuindo os lucros do capital.

Mas não é tudo. A história da filosofia e a história da ciência social ensinam com toda a clareza que no marxismo não há nada que se assemelhe ao "sectarismo", no sentida de uma doutrina fechada em si mesma, petrificada, surgida à margem da estrada real do desenvolvimento da civilização mundial. Pelo contrário, o gênio de Marx reside precisamente em ter dado respostas às questões que o pensamento avançado da humanidade tinha já colocado. A sua doutrina surgiu como a continuação direta e imediata das doutrinas dos representantes mais eminentes da filosofia, da economia política e do socialismo.

A doutrina de Marx é onipotente porque é exata. É completa e harmoniosa, dando aos homens uma concepção integral do mundo, inconciliável com toda a superstição, com toda a reação, com toda a defesa da opressão burguesa. O marxismo é o sucessor legítimo do que de melhor criou a humanidade no século XIX: a filosofia alemã, a economia política inglesa e o socialismo francês.

Vamos deter-nos brevemente nestas três fontes do marxismo, que são, ao mesmo tempo, as suas três partes constitutivas.


I

A filosofia do marxismo é o materialismo. Ao longo de toda a história moderna da Europa, e especialmente em fins do século XVIII, na França, onde se travou a batalha decisiva contra todas as velharias medievais, contra o feudalismo nas instituições e nas ideias, o materialismo mostrou ser a única filosofia consequente, fiel a todos os ensinamentos das ciências naturais, hostil à superstição, à beatice, etc. Por isso, os inimigos da democracia tentavam com todas as suas forças "refutar", desacreditar e caluniar o materialismo e defendiam as diversas formas do idealismo filosófico, que se reduz sempre, de um modo ou de outro, à defesa ou ao apoio da religião.


Marx e Engels defenderam resolutamente o materialismo filosófico, e explicaram repetidas vezes quão profundamente errado era tudo quanto fosse desviar-se dele. Onde as suas opiniões aparecem expostas com maior clareza e pormenor é nas obras de Engels, Ludwig Feuerbach e Anti-Dübring, as quais - da mesma forma que o Manifesto Comunista - são os livros de cabeceira de todo o operário consciente.

Marx não se limitou, porém, ao materialismo do século XVIII; pelo contrário, levou mais longe a filosofia. Enriqueceu-a com as aquisições da filosofia clássica alemã, sobretudo do sistema de Hegel, o qual conduzira por sua vez ao materialismo de Feuerbach. A principal dessas aquisições foi a dialética, isto é, a doutrina do desenvolvimento na sua forma mais completa, mais profunda e mais isenta de unilateralidade, a doutrina da relatividade do conhecimento humano, que nos dá um reflexo da matéria em constante desenvolvimento. As descobertas mais recentes das ciências naturais - o rádio, os elétrons, a transformação dos elementos - confirmaram de maneira admirável o materialismo dialético de Marx, a despeito das doutrinas dos filósofos burgueses, com os seus "novos" regressos ao velho e podre idealismo.

Aprofundando e desenvolvendo o materialismo filosófico, Marx levou-o até ao fim e estendeu-o do conhecimento da natureza até o conhecimento da sociedade humana. O materialismo histórico de Marx é uma conquisto formidável do pensamento científico. Ao caos e à arbitrariedade que até então imperavam nas concepções da história e da política, sucedeu uma teoria científica notavelmente integral e harmoniosa, que mostra como, em consequência do crescimento das forças produtivas, desenvolve-se de uma forma de vida social uma outra mais elevada, como, por exemplo, o capitalismo nasce do feudalismo.

Assim, como o conhecimento do homem reflete a natureza que existe independentemente dele, isto é, a matéria em desenvolvimento, também o conhecimento social do homem (ou seja: as diversas opiniões e doutrinas filosóficas, religiosas, políticas, etc.) reflete o regime econômico da sociedade. As instituições políticas são a superestrutura que se ergue sobre a base econômica. Assim, vemos, por exemplo, como as diversas formas políticas dos Estados europeus modernos servem para reforçar a dominação da burguesia sobre o proletariado.

A filosofia de Marx é o materialismo filosófico acabado, que deu à humanidade, à classe operária, sobretudo, poderosos instrumentos de conhecimento.


II

Depois de ter verificado que o regime econômico constitui a base sobre a qual se ergue a superestrutura política, Marx dedicou-se principalmente ao estudo deste regime econômico. A obra principal de Marx, O Capital, é dedicada ao estudo do regime econômico da sociedade moderna, isto é, da sociedade capitalista.
A economia política clássica anterior a Marx tinha-se formado na Inglaterra, o país capitalista mais desenvolvido. Adam Smith e David Ricardo lançaram nas suas investigações do regime econômico os fundamentos da teoria do valor-trabalho. Marx continuou sua obra. Fundamentou com toda precisão e desenvolveu de forma consequente aquela teoria. Mostrou que o valor de qualquer mercadoria é determinado pela quantidade de tempo de trabalho socialmente necessário investido na sua produção.

Onde os economistas burgueses viam relações entre objetos (troca de umas mercadorias por outras), Marx descobriu relações entre pessoas. A troca de mercadorias exprime a ligação que se estabelece, por meio do mercado, entre os diferentes produtores. O dinheiro indica que esta ligação se torna cada vez mais estreita, unindo indissoluvelmente num todo a vida econômica dos diferentes produtores. O capital significa um maior desenvolvimento desta ligação: a força de trabalho do homem torna-se uma mercadoria. O operário assalariado vende a sua força de trabalho ao proprietário de terra, das fábricas, dos instrumentos de trabalho. O operário emprega uma parte do dia de trabalho para cobrir o custo do seu sustento e de sua família (salário); durante a outra parte do dia, trabalha gratuitamente, criando para o capitalista a mais-valia, fonte dos lucros, fonte da riqueza da classe capitalista.

A teoria da mais-valia constitui a pedra angular da teoria econômica de Marx.

O capital, criado pelo trabalho do operário, oprime o operário, arruína o pequeno patrão e cria um exército de desempregados. Na indústria, é imediatamente visível o triunfo da grande produção; mas também na agricultura deparamos com o mesmo fenômeno: aumenta a superioridade da grande exploração agrícola capitalista, cresce o emprego de maquinaria, a propriedade camponesa cai nas garras do capital financeiro, declina e arruína-se sob o peso da técnica atrasada. Na agricultura, o declínio da pequena produção reveste-se de outras formas, mas esse declínio é um fato indiscutível.

Esmagando a pequena produção, o capital faz aumentar a produtividade do trabalho e cria uma situação de monopólio para os consórcios dos grandes capitalistas. A própria produção vai adquirindo cada vez mais um caráter social - centenas de milhares e milhões de operários são reunidos num organismo econômico coordenado - enquanto um punhado de capitalistas se apropria do produto do trabalho comum. Crescem a anarquia da produção, as crises, a corrida louca aos mercados, a escassez de meios de subsistência para as massas da população.

Ao fazer aumentar a dependência dos operários relativamente ao capital, o regime capitalista cria a grande força do trabalho unido.

Marx traçou o desenvolvimento do capitalismo desde os primeiros germes da economia mercantil, desde a troca simples, até às suas formas superiores, até a grande produção.

E de ano para ano a experiência de todos os países capitalistas, tanto os velhos como os novos, faz ver claramente a um número cada vez maior de operários a justeza desta doutrina de Marx.
O capitalismo venceu no mundo inteiro, mas, esta vitória não é mais do que o prelúdio do triunfo do trabalho sobre o capital.


III

Quando o regime feudal foi derrubado e a "livre" sociedade capitalista viu a luz do dia, tornou-se imediatamente claro que essa liberdade representava um novo sistema de opressão e exploração dos trabalhadores. Como reflexo dessa opressão e como protesto contra ela, começaram imediatamente a surgir diversas doutrinas socialistas. Mas, o socialismo primitivo era um socialismo utópico. Criticava a sociedade capitalista, condenava-a, amaldiçoava-a, sonhava com a sua destruição, fantasiava sobre um regime melhor, queria convencer os ricos da imoralidade da exploração.


Mas, o socialismo utópico não podia indicar uma saída real. Não sabia explicar a natureza da escravidão assalariada no capitalismo, nem descobrir as leis do seu desenvolvimento, nem encontrar a força social capaz de se tornar a criadora da nova sociedade.

Entretanto, as tempestuosas revoluções que acompanharam em toda a Europa, e especialmente na França, a queda do feudalismo, da servidão, mostravam cada vez com maior clareza que a luta de classes era a base e a força motriz de todo o desenvolvimento.

Nenhuma vitória da liberdade política sobre a classe feudal foi alcançada sem uma resistência desesperada. Nenhum país capitalista se formou sobre uma base mais ou menos livre, mais ou menos democrática, sem uma luta de morte entre as diversas classes da sociedade capitalista.

O gênio de Marx está em ter sido o primeiro a ter sabido deduzir daí a conclusão implícita na história universal e em tê-la aplicado consequentemente. Tal conclusão é a doutrina da luta de classes.

Os homens sempre foram em política vítimas ingênuas do engano dos outros e do próprio e continuarão a sê-lo enquanto não aprendem a descobrir por trás de todas as frases, declarações e promessas morais, religiosas, políticas e sociais, os interesses de uma ou de outra classe. Os partidários de reformas e melhoramentos ver-se-ão sempre enganados pelos defensores do velho, enquanto não compreenderem que toda a instituição velha, por mais bárbara e apodrecida que pareça, se mantém pela força de umas ou de outras classes dominantes. E para vencer a resistência dessas classes só há um meio: encontrar na própria sociedade que nos rodeia, educar e organizar para a luta, os elementos que possam - e, pela sua situação social, devam - formar a força capaz de varrer o velho e criar o novo.

Só o materialismo filosófico de Marx indicou ao proletariado a saída da escravidão espiritual em que vegetaram até hoje todas as classes oprimidas. Só a teoria econômica de Marx explicou a situação real do proletariado no conjunto do regime capitalista.

No mundo inteiro, da América ao Japão e da Suécia à África do Sul, multiplicam-se as organizações independentes do proletariado. Este se educa e instrui-se travando a sua luta de classe; liberta-se dos preconceitos da sociedade burguesa, adquire uma coesão cada vez maior, aprende a medir o alcance dos seus êxitos, temperam as suas forças e cresce irresistivelmente.
-
Escrito em março de 1913.
Publicado na Revista Prosvechtchénie, nº 3, março de 1913. Assinado: V.I.
[ ... ]
 

©2009 - 2013 Universidade Vermelha | Esquerda Marxista | by TNB